BIZÂNCIO ESTÁ CERCADA… 9/6/17

Bizancio

O juiz do Supremo Tribunal Eleitoral, relator do processo contra a chapa Dilma Rousseff/Michel Temer, falou por horas e, por horas, eu o ouvi.

Distante estava de mim a questão “cassa-se a chapa ou não cassa-se a chapa”.

Eis a questão que pouco me incomodava. Cada alternativa tinha os seus prós e os seus contras.

A questão, sem demérito algum, me lembrava a dos sábios bizantinos que enquanto os inimigos de Bizâncios estavam, armados e ferozes, as portas da cidade, eles discutiam o… sexo dos anjos, literalmente.

O caso, se não tão extremo assim, é bastante parecido. Enquanto doutos juízes, discutem com propriedade e agudeza as várias facetas da questão, os inimigos de Bizâncio, perdão do Brasil, se arregimentam as suas partes. Quem são os inimigos?

São a fraca economia, o excesso de burocracia, as altas taxas de juros, a baixa segurança e a baixa escolaridade, sem falar da legião de corruptos e corruptores e do legado disso tudo, milhões e milhões de desempregados e de mal empregados.

Parece, porém, que as reformas, propostas pelo Governo Temer, independentemente do destino do próprio, estão avançando… Parabéns ao Congresso, excluindo porém, o sempre hilário Renan Calheiros.

Das longas horas passadas a apreciar a discussão do relator, uma frase me interessou sobremaneira. Dizia, então, o agora conhecidíssimo juiz relator, algo assim. “Devemos defender o instituto das eleições, salvaguarda, contra aventureiros que querem suplantar a democracia. Devemos defender o instituto das eleições livres, etc, etc, para manter a democracia e, para tal, devemos reformular o sistema eleitoral, dotando-o de financiamento público équo e transparente” (contrariamente ao atual que não é équo nem transparente).

Apesar de discordar da última parte da preposição do relator, entendia o seu ponto de vista. O atual sistema permitia, e permite, a compra de votos, de deputados, de senadores e pasmem, de Leis. Compreensível, portanto, a colocação, um sistema de financiamento público, équo e transparente, substituindo o que ainda aí está.

A mais, o relator, juiz do Supremo Tribunal Eleitoral, mais não podia dizer.

Cabe ao legislativo… legislar, mas, passam preciosos dias, valiosas semanas, insubstituíveis meses, e nada de uma partido, um senador ou um deputado propor um novo arranjo do sistema partidário eleitoral.

Vai ver que o Zé Ninguém, se engana.

Vai ver que algum projeto nesse sentido está circulando. Tomara que sim. Este eventual projeto deve ser, além de oportuno, célere; célere porque os inimigos de Bizâncio estão as portas e pressionando as muralhas que protegem as cidades.

Esta reforma, deve valer para as eleições do próximo ano…, se isso não ocorrer podem ficar certos, os eleitores brasileiros serão enganados e enganados em larga escala… como sempre.

A solução, não é da anticonstitucional campanha (bisogna) dos “diretas já”. Nem de implantar um novo sistema eleitoral para… 2022.

O que é necessário e bom, deve ser feito já e agora…, no máximo, amanhã.

Portanto, apesar de eu não gostar, e explicarei isto num próximo bate papo com os quatro leitores do Zé Ninguém, é o voto distrital que pode melhorar a representatividade popular na Câmara.

Com o voto distrital, os custos serão menores, o contato entre eleitores e seus representantes serão pleno e profícuo.

Se, com crise ou sem crise, no prazo de um mês não iniciar-se um processo legislativo que conduza ao voto distrital puro, pessoalmente deixarei de torcer para o Brasil, sim porque até agora o Zé Ninguém, mesmo cansado, ainda torce pelo Brasil.

O País sem o voto distrital que dá transparência e legitimidade aos representantes do povo, vai perder, de goleada, o bonde da história.

Palavras do Zé Ninguém.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *