CAIU + 1 BARRAGEM – 31/1/19

barragemrejeito

Bem feito.

Claro que lamento pelos mortos e lamento pelas perdas de bens e pelo prejuízo ao meio ambiente.

Lamento muitíssimo, realmente, mas, do ponto e vista teórico aplaudo, e de pé, a caída de mais uma barragem.

Puxa vida, ao que se deve esta posição tão esdrúxula e estremada do Zé Ninguém?

Explico o alter ego do Zé, trabalha em projeto de barragens e exalta quando uma dessa cai, exalta e pula de alegria, lamentando, como é dever de todos, as perdas de vidas.

Explico, já disse, e agora o faço.

Com a parcial liberação do setor de energia, depois do governo militar, a iniciativa privada passou a atuar no setor.

Claro está que, estes novos investidores, visam lucro, e as empresas, todas, procuraram gastar o menos possível para aumentar o lucro. Este é o salutar jogo virtuoso da economia liberal.

Acontece porém que, por serem novatos no setor, grande parte desses investidores buscaram economizar nas áreas em que NÃO deviam.

Vejamos, leitor perplexo.

Economizaria você, no médico que zela pela saúde ou alternativamente no carro que te dá prazer?

Economizaria no advogado que te defende ou nos bons restaurantes? e … assim por diante.

Os “novos” investidores erraram na escolha das áreas nas quais querem economizar.

Claro está que, existem outros responsáveis, ou melhor, irresponsáveis que causaram a tragédia, mas o meu enfoque é da “economia” na área de engenharia de projeto.

Hipotize, criterioso leitor, que duas projetistas, diversas, elaboraram o projeto de duas barragens similares.

Uma, projetista de baixo custo (e alto risco) e outra de custo mais alto e de menor risco.

Erguidas as duas barragens, passam anos e as duas ficam de pé; a do mau projeto e do bom projeto.

Então, porque deve-se pagar por um projeto melhor, se ambas ficam em pé?

De fato, porque gastar em projeto melhor?

A resposta, somente pode vir quando a barragem realizada com projeto “não tão bom quanto deveria”, cair.

Por isso a satisfação de todas as empresas elaboradoras de bons projetos; viva, caiu mais uma porcaria.

Triste né?!

Tem mais, antigamente, agora não acompanho mais, uma revista americana semanal, dedicada a construção das infraestruturas, publicava na primeira página interna, a fotografia de um desastre que teria acometido numa dada infraestrutura.

Então, você podia ver pontes, viadutos e barragens colapsadas e no texto as razões mesmo longínquas, desses desastres.

Assim, nos EUA, a ocorrência de desastre tende a diminuir.

No Brasil, quando possível, se escamoteia o ocorrido. O emulo do Zé, sabe de empreendimentos privados (1) terminados em desastre… desastres desconhecidos pela maior parte da população.

Lembra também, o emulo do Zé Ninguém que, cerca de 25 anos atrás, quando ninguém falava em segurança de barragem que, este emulo e seus colegas, fizeram um projeto de barragem, inserindo nela um sistema de controle (normal na época) e de alerta (incomum na época).

O Banco Mundial que pagou o projeto e o analisou, o considerou ÓTIMO e isto repetido verbalmente três vezes e com entusiasmo.

A barragem está na Bahia e nem pensa em cair.

Viva, então as barragens executadas com bons projetos(2).

 

Notas

(1)    Existem, poucos, mas existem, também do setor público.

(2)    O emulo do Zé Ninguém afirma, ele e não o próprio Zé, que pode projetar barragem para rejeitos, com segurança tal, que não cairá… nem mesmo quando a vaca tussa.

1 Comentário

  1. Maurizio disse:

    Terceira linha, “queda” e não “caída”.

    Quarta linha, “extremada”.

    “ExplicA o alter ego do Zé, QUE trabalha…”…quando uma dessaS..”

    —– Não precisa publicar o comentário, mas é interessante revisar o texto. —-

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