CANSEI DE TORCER PELA ITÁLIA – 30/11/16

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Já tinha cansado em 1952…, mas isso não conta; não somente a Itália, mas toda a Europa, após a 2ª Guerra estava num miserê…

Agora não, em pleno 2016, fui para a Itália… e cansei mesmo de torcer pelo País.  Se os italianos que lá moram não torcem pelo próprio país, porque deveria eu fazê-lo?

Poderia falar de muitas coisas, mas vou me restringir somente a ida para lá.

Viajei com a ALITALIA, na classe econômica PLUS. Recomendo: tem bons e espaçosos assentos e boa comida.

Lá vou eu, então.

Despachei as malas de Curitiba, e as deveria receber, depois de três translados, no aeroporto de Linate em Milão.

Antes, porém, de falar do aeroporto de Linate e falaremos bastante, vamos falar da saída do vôo transatlântico da ALITALIA, a partir do aeroporto do Galeão no Rio.

Vamos ver, então, como foi a saída do vôo ALITALIA Rio de Janeiro Roma, no dia 2 de novembro, às 17:00 horas…

… não saímos!

Às 18:00 horas o comandante informou que devido ao mau humor da turbina número dois, o vôo foi cancelado e os senhores passageiros são solicitados a descer… “o pessoal de terra providenciará o translado e as acomodações em hotel”.

Assim disse, e assim foi feito, com um atraso, indesculpável, de cinco horas…

Somente às 23:30, chegamos a um discreto hotel com uma boa refeição.

Casos similares, de falha em aeronaves, são comuns, se não frequentes, e a equipe de terra já deveria estar preparada, com protocolos já consolidados, para minorar o desconforto dos passageiros.

Bem, enfim, partimos, às 15:00 horas do dia depois… chegamos em Roma às 4 da manhã e logo a conexão ALITALIA para Linate chegando em um friorento 4 de novembro às 7 da manhã.

Lá estavam, no carrossel as minhas malas, eram quase as últimas e quando as retirei o carrossel parou.

Parou?  Como parou? … tinha um grupo de passageiros que continuavam esperando.

Os informei que, se o carrossel para, quer dizer que as malas não estavam nesse vôo.

Percebendo que eram três casais brasileiros, os conduzi ao balcão dos Achados e Perdidos.  La encontramos uma distinta senhora, a qual expliquei que, eu, tinha recebido, as malas e que os três casais, é que não, apesar de estarem nas mesmas condições operacionais, isto é, de cidades conexas a ALITALIA com empresa aérea doméstica.

Tudo isso, dito em italiano. A distinta senhora, num aeroporto, frio, luminoso e vazio, os últimos passageiros do nosso vôo já tinha saído, berrou:  “Mettetevi in fila, mettetevi in fila”.

Os casais, imperturbáveis, já que estavam a uns três metros do balcão aí ficaram; falando com ela permiti-me dizer que, normalmente os brasileiros se colocam, quando necessário, “in fila” os italianos, ao contrário, “si ammucchiano” (se amontoam) e, sendo que somente eu e o homem de um dos casais estávamos na proximidade do balcão falei para a distinta senhora.

“Pode começar com este primeiro”, em italiano, naturalmente.

Ela deu para o passageiro no balcão uma folha na qual deveria colocar o endereço da origem, mais o endereço do destino na Itália (? meia dúzia de hotéis…) e um terceiro endereço do qual nem me lembro do que era.

Preenchida a folha, com as devidas informações pelo passageiro, a distinta senhora, célere e bruscamente, a pegou e foi no retro.  Enquanto isso, informei aos casais que daí a duas horas chegaria outro vôo de Roma e que seria bom, dirigindo-me ao meu companheiro de balcão, ter a mão os “ticket” da passagem e das bagagens, assim fez o coitado, era de Vitória, como fiquei sabendo e ia para Torino.

Logo apareceu a distinta senhora, voltou ríspida e autoritária… “datemi i bigletti del bagaglio”, e recebendo-os, inquiriu “di che colore era la valigia?” “Azul” responde o brasileiro. “Blù”, afirmou categoricamente a distinta senhora.

“É a mesma coisa” disse eu para por fim a uma eventual contenda cromática “é a mesma cor”, disse isso sem saber ao certo se era verdade ou não.

Os casais, continuavam calmos e sorridentes quase, aos originais três metros afastados do balcão; e o aeroporto continuava vazio.

Eu, irritado, como italiano, fiquei constrangido em ver que uma funcionária dos “perdidos e achados” que devia, no meu entender, dar e receber as informações do caso, mas, principalmente, tentar aliviar a preocupação e o desconforto do passageiro que não receberam a bagagem, ser tão antipática, ríspida e incompetente, que preferi me retirar explicando o motivo aos casais.

Eles sorriram, de compreensão, e me angureram (eles a mim?) boa viagem e boa permanência.

Nesse momento fiz as pazes com o Brasil e me senti constrangido, e, de consequência, senti-me cansado de torcer pela ITÁLIA.

Para mim este episódio, e o episódio dos atletas olímpicos americanos que mentiram dizendo que foram assaltados no Rio de Janeiro, equilibrou a balança: tem mentirosos e incompetentes em qualquer país, em qualquer instituição.

Não pode-se (não deve-se) generalizar por país, credo, raça e qualquer categoria.

Existem bons e ruins em qualquer lugar… nem precisa procurá-los… eles aparecem.

Resultado, da ITÁLIA falarei somente da ida, desta ida, … e é só.

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