CECIDADE CRASSA…! DE QUEM? – 2 – 16/5/17

Cecidade Crassa - 2

“Zé Ninguém está em LISBOA”

 

Ora bolas, de todos nós.

Todos nós estamos vendo, testemunhando e participando da exaustão dos recursos naturais do nosso planeta, gigantescos, mas finitos.

Todos concordam com isso, cientistas, políticos e nós todos da ralé. Ninguém, porém, se debruça sobre as causas… alguns, os beneméritos, somente sobre os efeitos.

A causa, registramos com precisão, são os bilhões de almas, que vivem, precariamente, e que desejam, corretamente, viver melhor.

Não somente melhor, mas com o mesmo nível de vida (o mesmo achaque a natureza) dos países “ricos”.

Costuma-se dizem, com números e percentagens, que os 300 milhões de americanos, que são somente 5% da população mundial, usufruem (por mérito próprio diga-se de passagem), 20-30% dos recursos planetários. Se todos os habitantes de planetas, conseguissem obter um nível de vida equivalente aos americanos ou suíços, belgas, etc… o planeta seria submetido a uma pressão sobre os recursos naturais em cerca vinte vezes maior. Isto é, não somente o fim dos recursos naturais, mas o fim da capacidade de regeneração do planeta.

Mas não tema, assustado leitor, não chegaremos a isso pela, alguém deve dize-lo, incapacidade da maioria dos povos a alcançar a organização sócio econômica, dos países ditos “ricos”.

Não me venham com xurumelas que os países colonizados foram explorados etc, etc, e que a riqueza atual é consequência das antigas explorações.

Nada disso; é incompetência mesmo; o contraponto é a Alemanha de hoje, o Japão de hoje, a Itália não conta, perdeu em 1963 o bonde da História.

A China não, não perdeu este bonde, conseguiu pega-lo, logo após o fausto desaparecimento do Mao Tsé-Tung. Conseguiu pega-lo sim, a este bendito bonde da história, porém, se machucando muito no pulo e machucando, ainda, a mãe natureza.

A questão fulcral que o Zé Ninguém põe aos perplexos leitores, não é se é possível alcançar universalmente altos níveis de vida e de quanto o impacto disso será pernicioso para os recursos naturais, que são sim abundantes e alguns renováveis, mas, como já afirmei, não são infinitos.

A questão fulcral é: porque temos que ser 6 bilhões de almas, e não somente um bilhão… vivendo na boa, basicamente bem?

Porque eu, Zé Ninguém, tenho que existir agora, se esta minha existência provoca ou a miséria de boa parte da humanidade ou a exaustão dos recursos naturais?

A questão é posta, todos devem tentar entende-la. Não interessam, as soluções possíveis, se existirem, interessa entender esta simples equação: recursos finitos demanda infinita.

Demanda infinita sim, todos os países continuarão requerendo sempre mais recursos naturais e aumentarão a poluição generalizada, da terra, da água e do ar, além claro do espaço sideral e do espaço mental.

Bonito isso!

Steinbeck, o romancista americano que inventou o motor-home, para ver, antes de morrer, o seu país, escreveu o romance “Homens e Ratos”; Totó, o celebre cômico italiano, acrescentou “Somos Homens ou Cabos”. Entendendo por “cabo”, cabo do exército, uma espécie de rato. Enfim: somos homens ou ratos.

Bem, o Zé Ninguém afirma, com a mais tranquila convicção, que somos ratos, porque como ratos continuamos a proliferar não conseguindo ver que isto nos levará a ruína.

 

P.S.

Não me venha, assombrado leitor, com as xurumelas de que esta cataclismática visão neomoltusiana, não ocorrerá.

As tecnologias, a melhor organização econômica social, contrariarão esta previsão pessimista.

Alto lá, desatento leitor, a catástrofe não é posta no futuro, próximo a longínquo.

Esta catástrofe já está em andamento.

 

P.P.S.S.

Nos mapas geográficos, consulta-os, você verá o Mar de Aral, um lago gigantesco. No mapa sim, mas o Mar de Aral faz tempo que não existe mais.

 

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