CURRAL OU DISTRITAL? – 2/5/17

Curral ou Distrital

“Zé Ninguém está em BERLIM”

 

Curral, dizem os congressistas fautores da “lista fechada”.

Distrital, deveria dizer o povo, para poder-se livrar da maioria dos corruptos.

Pelo “curral”, seja no Legislativo que no Executivo, o apoio é total e absoluto.

O Executivo apoia o curral, como moeda de troca para aprovar as reformas necessárias ao País.

O Legislativo apoia o curral, como salva vida, ou melhor, salva mandato dos próprios congressistas.

E o eleitor?

Bem, o eleitor, dito por um grande dirigente de um grande partido, pode escolher entre todos os partidos, aquele que, diz ele, contém bons candidatos. Os partidos, diz ele, não querem suicidar-se colocando candidatos impróprios.

É uma bela conversa sim, mas para o boi dormir.

Inicialmente, lembro que recente pesquisa da imprensa “descobriu” que nove dos dez maiores partidos, tem dirigentes partidários envolvidos em alguma falcatrua, se não acusados em participar de atos ilegais (eles, os próprios legisladores).

Destes dez, um só partido, ainda, não tem os seus dirigentes comprometidos.

E daí?

Mesmo que todos os candidatos sejam Santos, por exemplo, Sant’Antonio, São José, São Marcos, São Lucas, São Giovani, São Benedito, Santa Efigênia, Santa Rita de Cássia, Santa Genoveva, Santa Rita de Lisieux, Santa Lucia, Santa Barbara (repararam na equa distribuzione do genaro?).

Como dizia, mesmo que todos os candidatos de um partido sejam santos, eu poderia querer votar por outro santo, São Francisco, por exemplo, que não está na lista desse partido.

Voto por outro partido, diria o feitor do curral.

Bem si, tem razão, vamos então procurar a lista de outro partido, onde encontro o meu candidato, São Francisco.

Ei-lo, ei-lo ali, na lista de outro partido, no penúltimo lugar.

E viva, votarei nesse partido que tem, entre os seus candidatos, o meu São Francisco.

Por curiosidade, dá uma olhada nos demais candidatos…

Em primeiro lugar, vejo:

Palocci, depois um Adolfo Hitler e a seguir, José Dirceu (mas não está na cadeia?) a seguir Saddam Hussein e Dilma Rousseff (ela não perdeu a elegibilidade… lembram-se?), a seguir vem Goebbles e Brizola (mas este não morreu? Morreu sim, este é o bisneto…) e ainda Stalin, e Mão Santa, Beria e Renan Calheiros, finalmente vem o meu São Francisco e a seguir, fechando, Cristina Kirchner.

Acho que não vou votar em São Francisco.

Como pode um homem santo, santo como só ele conseguiu ser, se “juntar” a essa corja toda.

Fácil, fácil, diria o prócere partidário fautor e feitor do curral.

O argumento seria: que se os “bons” não se candidatam, os “maus” assumem.

E este argumento convenceu o ingênuo São Francisco e possivelmente os ingênuos eleitores.

Mas voltamos a matéria inicial, ao ponto que, dizia o dirigente partidário, que nenhum partido se suicidaria colocando candidato impróprio.

Quer, este cara, me enganar?

A Constituição de 88, diz que seriam os próprios partidos que, internamente, destituirão os congressistas indignos.

Reparou leitor perspicaz, da pusilanimidade (ou esperteza) dos constituintes de 88?

Será que de lá para cá, em trinta anos, um partido, expulsou um seu eleito, ANTES que o mesmo fosse indiciado pela Polícia Federal, Ministério Público ou Justiça Eleitoral?

Será que existe um caso ou dois? Em trinta anos?

E, sempre para elucidar a matéria, qual seria o “prejuízo” do partido, com todos os seus candidatos na “lista fechada”, caso a eleição fosse por distrito?

Que me expliquem, os Maias, Eunices, Michel e porque não, o inefável Renan Calheiros, sempre sorridente, qual seria o prejuízo do partido com o voto distrital?

Qual o prejuízo do eleitor com o curral?

Qual o prejuízo da representação popular com a lista fechada?

Qual o prejuízo da Democracia com eleitos impróprios?

Sou todo ouvidos, quero saber.

 

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