DIREITA & ESQUERDA – UM DISCURSO DO ZÉ NA ÁFRICA – 12/3/18

Direita e Esquerda

A bandeira de Angola tem, até hoje, uma espécie de “foice e martelo”; na realidade um facão e uma roda dentada, que é tremendamente semelhante ao emblema comunista, por excelência.

Não é para menos, o MPLA era o partido comunista de Angola e o seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, médico, poeta, estadista e… comunista. Ao morrer, ele foi substituído por José Eduardo dos Santos, também comunista, que até casou com uma cidadã da URSS.

O então jovem secretário do partido, José Eduardo dos Santos (Zédu para o povo) assumiu a Presidência da República e entrou em conflito armado contra a UNITA, partido do José Savimbi, apoiado com armas e munições pelos países ocidentais.

O conflito foi longo e sangrento, e a mídia, pelo menos da Itália e Brasil, não registrou o acontecimento com o merecido destaque. Somente para citar um exemplo, na cidade de Quito a “Stalingrado da África”, o Governo organizou, em 2003, um mutirão de seis meses para retirada dos corpos de cerca de 60.000 soldados, de ambos os lados, mortos e enterrados nos próprios locais de morte. Na época, circulava pelo mundo um filme macabro, “Mundo Cão”, no qual eram apresentadas cenas do nosso mundo de arrepiar. Nada porém como uma ação de desenterrar mortos de casas, ruas e jardins, de uma cidade destruída e, tudo isso, por seis meses: 10 mil por mês, 340 por dia, 43 por hora…

Bem, seja como for, o partido comunista MPLA apoiado pela URSS venceu a UNITA, apoiado pelos ocidentais. Acabada a guerra civil, ficou a tarefa, ainda até hoje não terminada, da retirada das minas, milhões e milhões de minas italianas, francesas e russas.

Com a queda do muro de Berlim, o “Zédu” achou por bem, migrar do sistema socialista para o sistema capitalista. Ele sim, e o seu governo. O zé-povinho porém manteve o comportamento típico de um país socialista: esperar que o governo lhe providenciasse tudo.

O “reduto” eleitoral do “Zédu” era o município de Cazenga (um milhão de habitantes), da cidade de Luanda, a capital do País.

Por uma série de circunstâncias, foi incumbido de fazer um discurso, na sede da Prefeitura de Cazenga, a uma centena de angolanos.

Não tinha nenhuma diretriz. Estava, o futuro Zé Ninguém, sozinho, perante uma plateia de cem pessoas… no aguardo. Eram, pensei eu, cem ou mais “socialistas”, do MPLA, os administradores, do “apparat” do partido, atuando no município.

Fechei os olhos e comecei… Eis o resumo do discurso:

Existem no mundo, estados de economia dirigida, e estados com a economia de mercado.

Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens. Cabe a um bom governo, seja com qual sistema for, diminuir as suas desvantagens e incrementar as suas vantagens.

Vocês todos conhecem as vantagens do sistema de economia dirigida, agora vou mostrar quais são as vantagens da economia de mercado.

É o “contrato”.

O que é um “contrato”?

É uma “extensão” das leis existentes, um complemento.

Existem as Leis do País, dentro e no amparo destas, duas entidades “acordam” entre si, realizar algo em troca de um pagamento.

São duas entidades que estabelecem uma série de direitos e obrigações que nada mais são que uma “extensão” da lei, por terem força de lei. Este acordo, entre as partes, formalizado em Contrato, atende à uma necessidade, relativa às duas entidades contratantes, mas esta necessidade faz parte do conjunto de necessidades da sociedade.

Os dois contratantes, que com os direitos e obrigações derivadas do contrato criam, ao ato prático, uma extensão particular da legislação; estão, ambos, interessadíssimos na boa conclusão do acordo, claro que em benefício mútuo que porém redunda necessariamente, em benefício da sociedade.

No sistema da economia dirigida, abandonada pelo nosso governo (Zédu), seria um funcionário estatal que determinaria o que seria necessário, providenciaria os recursos e acompanharia a realização. Ele, por bem intencionado que fosse, e nem sempre o será, não detém nenhum instrumento de avaliação dos resultados, dos benefícios e dos custos.

Já pelo sistema da economia de mercado, via Contrato, ao contrário da economia dirigida, será sempre conseguido o resultado econômico e, o econômico inclui, sempre, o social.

Como vocês constataram, nunca mencionei as palavras tabu “capitalismo, socialismo, comunismo, etc…”

Enfim, meus queridos leitores poderiam perguntar: será que entenderam?

Não sei! Somente sei, que na semana seguinte solicitaram a repetição do discurso para outra plateia.

Isso não ocorreu porque o meu chefe “negro”, não queria que um “branco” sobressaísse demais.

Demonstrou uma atitude racista! Se fosse no Brasil seria preso e ainda sem direito à fiança.

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