DOZE MILHÕES DE DESEMPREGADOS – 4/1/17

desempregados

Não são não,

não são doze,

são “somente” sete milhões.

Mesmo em um país com desemprego zero as estatísticas, elas mesmas, acusam uma taxa de desempregados “normal” ao redor de 5% da população ativa.

São os que, já tendo 18 anos, ainda não arranjaram emprego; são os que não precisam emprego e os que tem emprego que não entram nas estatísticas, tipo cantor e pintor de rua, assaltante, empregada doméstica não registrada, mendigos, velhos e velhas abandonadas pelas famílias, presos nas cadeias, etc, etc.

Bem, mesmo assim, sete milhões é um número grande, extragrande, demasiado grande…

Para ter uma ideia da dimensão deste número, hipotizamos, leitor curioso, que se o salário tivessem de mil reais mensais, a quantia seria de sete bilhões de reais ao mês.

Seriam sete bilhões de reais de não produção, de não aquisições, e dos correlatos não recolhimentos de impostos federais, estaduais e municipais.

Seriam sete bilhões de reais de riqueza não produzida, aliás, seriam, em riqueza não produzida, o dobro se não o triplo desse número.

São, enfim, sete milhões de seres humanos que anseiam por trabalho que lhe é negado:

  • pela política ineficaz do atual governo (diriam PT, PSOL e PC do Brasil…);
  • pelos erros crassos dos governos PT-PMDB (diriam o PSDB e vastas porções de outros partidos);
  • pela ganância dos empregadores capitalistas (diriam os sindicalistas e os tribunais do trabalho, sabidamente conhecidos como “imparciais”…);
  • pela incongruência das leis trabalhistas (diriam os empregadores…);
  • pelo excesso de impostos e burocracia (diriam os economistas…);
  • pela falta de irmandade entre todos (diriam a igreja católica, os evangélicos e de outras religiões, excluídas as igrejas comerciais que atualmente estão vicejando…);
  • pela ineficácia da representação popular, diz e afirma de pé juntos, o Zé Ninguém de Curitiba…

Entrevistamos, então, o Zé Ninguém, visto ser o único que se dispôs prontamente a isso.

ENTREVISTADOR        Senhor Zé Ninguém, o que acha das discordantes opiniões sobre as causas de termos, no Brasil, tantos desempregados?

Zé Ninguém                … bem… deixa-me pensar… as opiniões não são na verdade, come está dizendo, discordantes, elas… bem… tenho certeza que são facetes diversos e todas reais do mesmo fenômeno, o desemprego… relacionado a crise econômica.

ENTREVISTADOR         … puxa vida, com esta resposta não temos muitas possibilidades de discutir algo nesta entrevista… ou melhor tem argumentos demasiados, são todos os pontos de vistas discordantes dos diversos setores da sociedade.

Zé Ninguém                  Exatamente, seria um erro crasso fixar-se em somente um ou poucos dos pontos de vistas apresentados, por quão relevante parece ser. Os aspectos apresentados são todos relevantes, são todos reais e todos relacionads a um só fenômeno: o desemprego, fruto humilhante da crise econômica.

ENTREVISTADOR         Entendi e até concordo… mas o que se pode fazer? … de onde começar?

Zé Ninguém                  Deve-se começar por aceitar, como válidas, todas as opiniões manifestadas e… obviamente, a mais válida e é minha do Zé Ninguém; se assim não fosse não seria eu o entrevistado.

ENTREVISTADOR         Aprecio e muito a sua falta de modéstia, mas, repito de onde começar…?

Zé Ninguém                Como eu disse e reitero, todas as opiniões apresentadas são válidas e todas deveriam ser consideradas em uma política de pleno emprego.

Porém, elas todas possuem duas falhas gravíssimas.

ENTREVISTADOR         Duas…?

Zé Ninguém                Sim duas.

A primeira é que cada setor da sociedade que se manifestou sobre o desemprego foi bastante eloquente em apresentar os erros dos outros, mas nunca, never, jamais e jamé, os próprios.

ENTREVISTADOR         Bem… esta é uma falha universal, não é exclusiva da sociedade brasileira…, e a segunda qual seria?

Zé Ninguém                Claro que não é exclusiva somente da sociedade brasileria, … mas, agora nós estamos falando da sociedade brasileira.

Se, esta falha é, na Nova Zelândia o dobro ou a metade, isso não vem ao caso. Não nos interessa a Nova Zelândia, interessa o Brasil e é do Brasil que estamos falando.

De acordo?

ENTREVISTADOR         De acordo, vamos a segunda falha… gravíssima você disse.

Zé Ninguém                Vamos a essa, … estou, porém, preocupado…, bastante preocudado…

ENTREVISTADOR         Preocupado? Preocupado por que?

Zé Ninguém                Se em relação a primeira falha que é comum, universal dissemos, você logo entrou em defesa da sociedade brasileira, … imagino o que você vai argumentar em relação a esta outra falha, bem mais grave.

ENTREVISTADOR         O entrevistado é você. Eu somente reparei que a falha de ver os defeitos dos outros e não os próprios, não podemos dizer que seja atribuível somente a nós brasileiros.

Zé Ninguém                 Já disse que concordo…, vamos lá a outra falha… e seja o que Deus quiser…; bem é difícil iniciar a explanação, mas vamos tentar.

O brasileiro se ufana, se orgulha, de aspectos peculiares do País, por exemplo, do futebol, do carnaval, das praias, etc. Os mais informados, se orgulham da indústria, aeronáutica, da pujante agricultura, da vocação pela paz e assim em diante.

Claro que todos se esquecem de um certo racismo, não somente contras os pretos, mas também contra os portugueses. É fácil ouvir, quanto se defronta com uma falha nacional… “É… fomos descobertos pelos portugueses”. Como, se assim não fosse, provavelmente ele não teria nascido; mais, dizendo isso, fatalisticamente se sente no direito de nada fazer por corrigir a falha que provocou o comentário.

ENTREVISTADOR         Não compreendi esta falha.

Zé Ninguém                 Calma, não apresentei a falha ainda. Queria somente ressaltar que o brasileiro se orgulha de muitas coisas do seu País, mas…

ENTREVISTADOR         Mas?

Zé Ninguém                 Ele não torce pelo País, eles não se incomodam pelo País, ele coloca sempre os seus interesses pessoais e os do seu clã, seja qual for, acima dos interesses do País, é isso preponderantemente.

Entenda, preponderantemente eles querem que “os outros” pensem e lutem pelo país, sempre “os outros”, nunca eles.

ENTREVISTADOR         Eu sou entrevistador… não emito opiniões, estou entrevistando o Zé Ninguém, e só quero apresentar as opiniões dele mesmo… mas aqui também, vejo que a falha é universal.

Será que na Bulgária ou em Porto Rico, não será a mesma coisa?

Zé Ninguém                  Sim, é possível que assim seja, ou até pior na Bulgária ou Porto Rico. Não conheço nenhum desses países mas, conheço Itália, onde nasci; Alemanha, Áustria, Suíça, França, Inglaterra, Dinamarca, em todos estes países a defesa dos interesses gerais, os interesses comum a todos: a defesa do país, da cultura, da economia, o interesse para as futuras gerações é muito mais presente nestes países do que no Brasil.

ENTREVISTADOR         Será…?

Zé Ninguém                  Como você disse, você é o entrevistador, eu sou o entrevistado… Repare que não citei Portugal, Grécia e Espanha que também conheço e que se distanciam dos países que acima citei… Aliais, junto a estes últimos deveria ter incluído também a Itália, mas sabe como é…, ainda torço, pouco sim, mas ainda torço pelo país natal.

ENTREVISTADOR         Não entendi a palavra “preponderantemente” quando se referia aos brasileiros e as suas falhas…

Zé Ninguém                  Generalizar, como estou fazendo, é perigoso e até errado… o termo “preponderantemente” significa que no Brasil existem e são muitos, os que colocam os interesses do País, acima dos próprios mas, que “preponderantemente”, tal não ocorre.

Como também, na Suíça, Dinamarca, etc, devem existir pessoas, muitas, que colocam os seus interesses acima do país, mas preponderantemente, não prevalecem.

ENTREVISTADOR         Dito tudo isso, não sei para que isso tudo pode servir.

Você queria, num passe de mágica, corrigir, se for verdade o que você disse, o comportamento do povo brasileiro? …

Zé Ninguém               Longe de mim, tal pretensão.

A minha intenção é afirmar que uma das causas deste distanciamento entre o povo e o seu País, é porque o povo se sente mais súdito que cidadão.

Súdito em relação ao aparelho estatal.

Súdito em relação ao complexo produtivo.

Súdito em relação a classe política.

E é em relação a esta suditansa política que sugiro que o povo se revolte, que exija uma melhor representação no Congresso, nas Assembleias e Câmara dos Vereadores.

Que pare de dar mais importância ao Presidente, Governador e Prefeito.

Que entenda que os seus interesses serão defendidos, pelos “seus” representantes. E que este representante, para ter o seu voto, deve vir em praça pública e dizer para que o quer.

Nada de propaganda gratuita na TV.

Nada de fundo partidário.

Nada de voto diferenciado por estado.

Somos uma só nação, e os nossos verdadeiros representantes, em 2018 deveriam ser escolhidos com o voto distrital.

Façamos de 2017 o ano do voto distrital.

A reconquista do Brasil pelo seu povo passa pelo voto distrital.

ENTREVISTADOR         Esta é a sua opinião?

Zé Ninguém                  Claro que é, esta é a firme opinião do entrevistado, o tal de Zé Ninguém.

E é através dos verdadeiros representantes do povo, que, bem ou mal, todos os problemas do País serão paulatinamente enfrentados e resolvidos de forma aceitável pela maioria.

É sim.

 

 

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