IRRITANTE… – 5/10/16

irritante

“ABSTENÇÃO É UM RECADO À CLASSE POLÍTICA” disse o Presidente Temer, face a grande abstenção, votos em branco e votos nulos.

O eleitorado já deu este tipo de “recado” em eleições anteriores… e daí?

Nada resultou no passado e nada, presumivelmente, acontecerá no futuro.

Cada um dos participantes da classe política e todos, pensam que o “recado” é para os outros e nunca para ele mesmo.

Inútil, portanto, esperar da classe política o recebimento do “recado”.

Quem então deve recebê-lo e agir em consequência?

O Presidente?  Certamente que não, já tem sérios problemas a enfrentar e resolver.

O Supremo Tribunal Federal?  Claro que não, seria uma intromissão nas competências de outro poder.

O Tribunal Superior Eleitoral?  Pode ser mas, admitindo que apresente uma proposta que atenda ao “recado”, o que já seria muito, deveria ser aprovado pelo Congresso; voltando assim aos destinatários iniciais, surdos, do “recado”.

É irritante… e muito.  Porque a sucessão de “recados” ao longo dos anos não sensibilizou ninguém a propor alternativas para estancar esta fragilidade do sistema eleitoral.

“Pera aí”, escrevi que “ninguém” propôs alternativas?

Engano meu!

Exatamente o Zé Ninguém, já apresentou uma solução válida.

Para quem quer saber mais sobre isso, consulte o livro do próprio Zé Ninguém, CANSEI DE TORCER PELO BRASIL, e ficará ao par do sistema proposto.

Para os preguiçosos e os sem dinheiro, que não dispõem de 27 reais para comprar o livro, lá vai, resumidamente, a proposta explicando “tintim por tintim” para não ter malentendido.

Para o universo de 100 milhões de eleitores foi estabelecido que estes (os 100 milhões) elegeriam 550 deputados.

Supondo que 20% destes eleitores não foram as urnas, de todo direito não são contabilizados, portanto, o colégio eleitoral será dos 80 milhões que vão às urnas.  Admitindo ainda, por facilidade de cálculo, que 10 milhões tem o voto anulado, por erro involuntário ou proposital, estes também “se excluíram” do colégio eleitoral, mesmo tendo ido as urnas.

O colégio eleitoral residual seria então de 70 milhões e estes 70 milhões deveriam eleger os 550 deputados.

Acontece porém, que um bom número de eleitores (milhões e dezenas de milhões) não acham um único candidato digno do seu voto.

O que fazem estes eleitores?

VOTAM EM BRANCO como claro repúdio a todos os candidatos. Todos eles.

O que faz o “sistema brasileiro”?

Ignora.

Ignora, há muitos anos, o fenômeno e as suas implicações.

Há muitos anos de forma irracional, para não dizer de má fé, acomuna os votos em branco aos votos nulos e “elegem” os 550 deputados somente com os votos dos que indicaram um candidato.

Como funcionaria o sistema do Zé Ninguém?

Computaria os votos em branco como votos válidos (são validíssimos) e se por exemplo foram 10% do colégio eleitoral, as 550 cadeiras a dividir entre os candidatos somente seriam 495. Ficariam vazias 55 cadeiras (e cobertas por um pano preto) como diuturno e permanente RECADO a classe política.

Somente assim, com a presença diária e gritante das cadeiras vazias, a “classe política”, talvez, se compenetre das suas reais obrigações.

O que acontece de fato?  O Presidente (qualquer presidente) lamenta e lembra que este fenômeno (abstenção e votos em branco) é um recado… etc etc.

E só.

E é por isso que Zé Ninguém, irrita-se…

… e muito.

 

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