JORNAL VERSO #@:x.>w … – 9/3/17

jornal verso

Tinha que ir para Goiânia… a trabalho, intimado por um Tribunal de lá.

Embarquei no novo aeroporto de Curitiba, bem maior do antes existente, maior sim, não melhor. Repare leitor curioso, no antigo e  menor, existiam duas bancas de revistas na área de embarque, no novo e maior, nenhuma.

Bem, pensei, o comprarei o jornal no aeroporto de Viracopos, gigantesco, internacional.

Neka… na área de embarque não tinha nenhuma banca de jornal…

Lá vai eu noutro trecho de voo sem a leitura diária do diário.

Em Goiânia, na área de embarque, também gigantesca… lá… bem no fundo, entre bugigangas que ocupavam a maior parte da loja, lá estava a banca de jornal e, finalmente, o comprei.

Comprei sim, mas não tive tempo de lê-lo.

Corrida para o escritório do advogado, discussões até altas horas da noite, de manhã cedo no Tribunal, etc, etc.

A tarde, finalmente no aeroporto peguei o jornal, mas tive que guardá-lo novamente.

Voo cancelado… todo mundo passou por esta, via-crúcis. No voo, com outra companhia, para outra cidade discussões com o colega sobre as perspectivas de sucesso do processo judicial.

São Paulo, outro avião e este para Curitiba. Finalmente abri o jornal para lê-lo.

O passageiro a minha esquerda interrompeu a minha leitura.

  • Parabéns, disse ele, o senhor é o único neste avião que lê um jornal de papel. Olhei de fato os demais 118 passageiros não estavam lendo nenhum jornal de papel.
  • Sim, continuou o amável companheiro de viagem, ninguém mais lê jornal impresso, somente o eletrônico.
  • Não é a mesma coisa, redargui, o jornal eletrônico é uma edição reduzida, reduzidíssima, limitada e estreita, até, para quem tem agorafobia, a leitura torna-se terrível, angustiante e miserável se comparado com a amplidão e variedades do jornal impresso.
  • Sim, pode ser, respondeu o gentil passageiro, porém o jornal eletrônico fornece notícias de imediato.
  • Concordo, mas essa imediatez tem algum valor real? Acho que não. E continuei.
  • Veja por exemplo, se o aparelho de leitura, eletrônica cair no chão, pode quebrar, o jornal impresso não…; a mais, no avião não precisa ligar/desligar conforme a comissária prescreve, para o jornal impresso não existe nada disso. O aparelho eletrônico custa um bocado, o jornal impresso é barato, e mais não gasta energia.

Aspecto mais importante… se explodir uma bomba atômica a, digamos, 50 km, o pulso eletromagnético provocado pela explosão bloqueia o funcionamento de qualquer aparelho eletrônico. Com o jornal impresso você pode continuar a lê-lo tranquilamente.

  • Puxa, não tinha pensado nisso, comentou o estupefato companheiro de viagem.
  • E tem mais, muito mais, por exemplo, você pode embrulhar um quilo de peixe com o jornal eletrônico? Diga, diga… pode?
  • Não… acho que não.
  • Tá vendo, com o jornal impresso pode-se.

Aliás, além de um quilo de peixe, o jornal impresso pode embrulhar um quilo, quem sabe um quilo e meio, de batatas, sim batatas, mas também tomates e maçãs, com as peras é um pouco mais difícil pelos cabos duros dele, furam o jornal, mas pêssegos, uvas, alface, ervilha, escarola, salsinha, alho poró, couve manteiga e outras verduras e frutas pode sim.

Também para finalizar, se você quer levar o seu tênis furado ao sapateiro, pode
embrulhá-lo no jornal impresso e, nota bem, tanto podem ser tênis masculino quanto feminino. O jornal impresso pode.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *