MAQUIAVEL e os “maquiavélicos daqui e de agora” – 3/1/18

Maquiavel

Um leitor dos blá-blá-blás do Zé Ninguém alertou-o, portanto, alertou-me, que conhecedor “de cor e salteado” do livro “O Príncipe” do referido Maquiavel, não encontrou nenhuma referência ao tema apresentado no último artigo veiculado e não sabia da existência de outras obras desse autor.

Não consta no “O Príncipe” de fato, mas no “Comentários Sobre a Primeira Década de Tito Lívio”.

Vou rapidamente explicar a origem e natureza dessas duas obras:

“O Príncipe” seria como um complemento, de alto nível, ao currículo do Maquiavel, quando o mesmo pleiteou um emprego relevante a Juliano de Médici, o novo príncipe de Florença.

Maquiavel, republicano por excelência, durante a vigência da República em Florença foi 2º chanceler, uma espécie de Ministro do Exterior e Embaixador Plenipotenciário no Governo Republicano.

Com o fim da República e a ascensão ao poder dos Médici, ele ficou desempregado.

Ficar desempregado naquela época, era pior do que hoje, por não existir, como no Brasil, o “auxílio desemprego”. Foi forçado a pedir ao novo senhor da cidade uma vaga, um cargo, enfim, um estipêndio.

“Mas, o Maquiavel não era republicano?”

Sim, era ferozmente republicano.

Então, como se sujeitou a pedir emprego a um príncipe, a um monarca?

Respondo, lendo “O Príncipe”, fica claro que ele não faz distinção entre república, monarquia, oligarquia, etc. Ele entende que quem dirige o Estado, um, poucos ou muitos, é o “príncipe” e que ele, Maquiavel, era servidor do “Estado”.

Portanto, está justificado o pedido de emprego, com o envio do currículo e como um anexo.

O anexo, “O Príncipe”, foi redigido em pouquíssimo espaço de tempo, justamente para corroborar o seu currículo, e foi dedicado a Juliano de Médici, que devia convencer-se a contratá-lo, fato que não aconteceu.

Maquiavel, era um poeta, além de muitas outras coisas. Antes e depois de “O Príncipe”, escreveu muitas obras e uma delas por exemplo, a “Storia di Firenze” apresentando todas as lutas e intrigas dos diversos clãs da cidade para tomar o poder e manter-se nele. Escreveu também “Arte da Guerra” que se distingue do homônimo de Sun Tzu, por ser mais voltado a vencer batalhas, portanto há mais posicionamento e movimento no campo, do que vencer a guerra, escopo claro de Sun Tzu.

Enfim, a obra “Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio” é considerada por muitos estudiosos do nosso Maquiavel como a mais relevante.

Quem era Tito Lívio e o que seria a primeira década.

Tito Lívio foi um historiador romano e a sua longa história da república era cronológica e Maquiavel utilizou a “primeira década” para os seus comentários.

Para Maquiavel a superioridade de Roma residia no Senado e no livre embate dos interesses privados que confluía para a supremacia do Governo, com um Senado firme e eficaz, o que resultava em vantagem imensa, comparado à forma de governo das outras entidades políticas do mundo da época. O grande adversário de Roma, não foram os impérios e reinos diversos, mas foi somente Cartago, porque também Cartago tinha um Senado.

Evidentemente o “Senado” do qual está se falando era voltado para a defesa dos interesses do Estado. Não necessariamente corresponde ao nosso Senado ou ao nosso Congresso.

Sem dúvida, existem homens probos no nosso Congresso, mas no rastro da eleição da dupla Dilma/Temer foram eleitos um bom número de congressistas que não são nem íntegros e nem republicanos.

As ações destes últimos no caso conhecido como “mensalão” estão aí, para demonstrá-lo.

O caso do “petrolão” é interessante. Ao invés de “atender” aos políticos no varejo como aconteceu no “mensalão”, neste se operou no atacado: financiam-se os partidos (os “deles” claro) demonstrando-se a magnífica evolução empresarial da corrupção.

Será que no próximo pleito o eleitor brasileiro se recordará desses fatos?

A memória coletiva nacional não é das mais longevas, e, os fautores do “Fora Temer” estão tentando com esse mote levantar um biombo para esconder as atividades nefastas dos partidos financiados pelo “petrolão”.

É uma “maquiavelice”, no termo pejorativo atualmente utilizado. Termo que não tem nada de Maquiavel, que somente demonstrou com quanto sangue e sofrimento dos povos, os “príncipes” conquistaram e se mantiveram no poder.

 

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