O BRASIL É UM PAÍS RICO? E SE NÃO… POR QUÊ? – 26/11/18

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Duas ou três décadas atrás, o Zé Ninguém para demonstrar as debilidades das lideranças nacionais em promover o bem-estar da nação, especialmente após o advento da república, utilizava um artifício bastante tosco, mas irrefutável.

Admitindo que as riquezas naturais do Brasil seriam a metade dos Estados Unidos, a renda per capita nacional deveria, ou poderia, ser a metade da dos habitantes do país do norte.

Em 2012, o produto per capita no Brasil era de US$ 12.000 e, nos Estados Unidos, de 50.000.

Pelo critério da paridade de recursos naturais, o produto per capita dos nacionais seria de U$S 24.000. Comparando com a dos cidadãos norte-americanos, resultaria em uma diferença de US$ 26.000 per capita desfavorável a nós, brasileiros.

Este valor, para o Zé Ninguém, é justamente o indicador da menor capacidade das nossas lideranças, principalmente, se não essencialmente, depois dos Deodoros e Florianos da vida.

Pode-se sofisticar um pouco mais, por exemplo, considerando também o capital social, derivado sempre do conúbio de lideranças/capital humano.

Dispomos, hoje em dia, de instrumentos e critérios bem melhores e sofisticados do que o empregado pelo Zé Ninguém décadas atrás.

Existem atualmente, boas estatísticas, insuficientemente divulgadas no Brasil (… quem sabe por quê…?). Um dos mais conhecidos é do indicador do desenvolvimento humano, ainda bastante tosco (reúne somente três indicadores econômicos sociais), mas suficientemente satisfatório para dar uma posição relativa dos países nesse tópico.

Por este indicador o Brasil estaria no 85º lugar entre todas as nações do mundo; não é nada bom, mas também, não é de todo ruim. Estamos 100 posições a frente do Congo Democrático, o que porém, não é grande vantagem.

Nestes dias, descobri um indicador deveras interessante.

O banco “Credit Suisse”, há diversos anos, conta os “milionários” de todos os países do mundo e acompanha as variações. O critério utilizado por esse banco é de que “milionário” é a pessoa que possui um milhão de dólares americanos em bens. Não é, portanto, o critério utilizado nos romances de Balzac, que diz que “milionário” é quem tem renda anual de um milhão de dólares americanos.

Mesmo assim, o critério do banco suíço é extremamente válido por representar uma fatia maior da sociedade.

Vamos aos dados.

Diz o banco, que a quantidade de milionários no Brasil, de 2017 para 2018, baixou de 190.000 para 156.000. Isto é, 34.000 brasileiros deixaram de ser milionários nesse período.

Bem, isso não seria novidade para ninguém.

Isso seria o resultado do péssimo governo Dilma e do governo acéfalo, durante o período do processo de “impeachment”.

Os esforços do governo do vice, louváveis sob qualquer critério, não foram suficientes para estancar a diminuição dos milionários brasileiros.

Existem porém mais dados das pesquisas do “Credit Suisse”. Dados estarrecedores que apavoraram o Zé Ninguém, por serem mais deprimentes do que qualquer dado estatístico anteriormente consultado.

Vejamos o caso da Austrália, o segundo país a perder mais milionários, depois do Brasil. Eram 1.320.000 em 2017, diminuíram para somente 1.288.000 em 2018.

Espere um pouco… a Austrália?

A Austrália, do tamanho parecido com o Brasil, porém com 22.000.000 de habitantes (2012).

Se a Austrália tivesse a mesma população do Brasil, teria 13.000.000 de milionários ao invés dos nossos míseros 156.000.

Mas a Austrália, diria um leitor atento, deve ter mais riquezas no seu território, vejamos:

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Claro está que, nos quatro últimos itens, a maior população do Brasil influiu bastante. Totalmente a desfavor da Austrália é o clima e a fertilidade do solo. O país é pobre em recursos hídricos, extensas áreas são áridos desertos e a seca que é sistêmica, atinge todo o país, mesmo assim, é um grande exportador de produtos agrícolas.

E os milionários…, onde estão?

Onde estão os 1.300.000 milionários australianos?

Sobre uma população de 22.000.000, eles são 6% da população.

E os milionários brasileiros? Os 156.000 representam 0,13% da população brasileira, é nada, quase nada; onde está a tão propalada concentração de renda?

A Nova Zelândia com 4.000.000 de habitantes tem a mesma quantidade de milionários do Brasil. O país é predominantemente montanhoso e pobre em recursos naturais. É um pouco maior do que o Estado do Paraná e tem 7% da população desempregada.

O orçamento público porém, dispõe de 32% deste montante para proteção social (2007) e 1,3% para pesquisas.

Vem pior, muito pior.

A Itália, teve um aumento entre 2017 e 2018 de milionários equivalente ao total dos milionários brasileiros!!!

E Israel? Pequeno, como o menor dos menores estados brasileiros, Sergipe, seco, árido, com o “grande” deserto do Neguev; tem 100.000 milionários, comparem com os nossos 156.000.

E assim por diante, países e mais países acima do Brasil… porém, ganhamos da Argentina e México; eles estão com muito menos milionários do que nós; seria o indicador do fracasso da America Latina?

Enfim, volta-se a dizer: como fica o discurso da “concentração” de renda?

Nós não temos renda, não temos não.

Parece que o mundo está criando e concentrando renda incessantemente e nós aqui, discutindo abobrinhas e achando que uma constituição (prolixa e retrógada) resolverá os nossos problemas e que as enxurradas de “direitos” (que assolam o país) sirvam para incentivar o nosso progresso.

Será que o novo governo conseguirá reverter esta situação vexaminosa?

Para o Zé Ninguém fica evidente que devemos parar de discutir assuntos irrelevantes, tipo “Lula na cadeia ou fora da cadeia”.

Temos que multiplicar por dez e por cem a quantidade de milionários, se quisermos um país sem pobres.

 

1 Comentário

  1. ANDRÉA disse:

    Muito boa análise!

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