O BRASIL É UMA REPÚBLICA? – 26/12/17

Brasil republica

Pelo Maquiavel, não.

Em outros artigos, afirmei que o Brasil não tinha estofo para, por exemplo, sair da ONU/UNESCO, etc.

Apresento ponderações do próprio Maquiavel no seu “Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio”, no qual o tema era: “Os cidadãos que já receberam as mais altas honrarias não devem desprezar as menos importantes.”

Poderia eu, Zé Ninguém, resumir corretamente o pensamento do Maquiavel? Certamente, não. Portanto, apresento o que ele disse sobre a matéria.

“Sob o consulado de Marco Fábio e Mânlio, os romanos tinham conseguido uma vitória memorável sobre os etruscos e os habitantes de Veios; nessa batalha morreu o irmão do cônsul, Quinto Fábio, que três anos antes havia exercido a função consular.

O episódio demonstra como, em Roma, todas as instituições do Estado serviam à sua grandeza; e como as repúblicas que se afastam deste sistema cometem um grave erro. De fato, embora os romanos cultivassem a glória, não consideravam desonroso obedecer hoje àqueles que ontem lhes eram subordinados; ou servir num exército que haviam comandado como generais – costume inteiramente oposto à nossa maneira de ver, às instituições e aos hábitos contemporâneos.

A própria Veneza nutre o preconceito de que é desonroso aceitar um cargo inferior, após ter tido um outro mais importante – caso em que o governo aceita a recusa do cidadão designado. Ainda que se considere esta conduta honrada, em particular, ela nada tem de vantajoso para o bem geral, pois uma república deve depositar maiores esperanças no cidadão que desce do cargo mais elevado para outro inferior, do que aquele que faz o percurso contrário. Pois este último só pode inspirar confiança enquanto estiver cercado de homens cuja virtude inspire grande respeito, por serem capazes de compensar com a sabedoria e a autoridade dos seus conselhos a inexperiência do aconselhado.”

O Zé Ninguém não tem conhecimento de que ilustres e dignos brasileiros elevados pelo voto popular a altos cargos: Presidentes, Governadores, Prefeitos, terminado o mandato, se candidatem a postos menores. Deve existir algum caso, mas seria exceção à regra.

Vejamos os casos mais recentes:

Fernando Henrique Cardoso, saudoso presidente do Brasil, que entre outras façanhas, acabou com a inflação que vinha de JK e se ampliou tremendamente no governo nefasto do Sarney.

E o ex-Presidente Lula? Se candidatou a Prefeito de São Bernardo, em São Paulo? E depois, a governador desse Estado ou a outro qualquer? Não.

Ele pretende ser o novo Presidente por 4 ou 40 anos, como o seu amigo Fidel (ditador, lembremos aos mais desavisados).

E a Dilma? Ela foi deposta pelo Congresso por “crimes”, e mesmo assim, o gaiato do Lewandowski, achou por bem permitir que ela pudesse candidatar-se a cargos públicos eletivos.

Fará isso? Aproveitará a regalia ilegítima que a dupla Lewandowski – Renan Calheiros conseguiu para ela?

Poderia concorrer a um cargo no Rio Grande do Sul ou Minas Gerais, tem de Governador, Senador, Deputado Estadual e até de Vereador, pode escolher.

Mesmo fazendo isso, ela não representou o político médio brasileiro.

Talvez ela, ao contrário do confrade Lula, teme que não vai se eleger.

Então, meus amigos, as ricas experiências do homem posto em cargos elevados não beneficiariam a república se colocados em cargos menores, como a grandeza de Roma testemunhou?

Uma verdadeira república tem todos os seus cidadãos servindo em qualquer cargo, por isso que é república!

Portanto, o simples fato de todos os “ex”, quererem voltar ao mesmo cargo ou a cargos superiores, demonstra que não somos uma república.

No máximo, estamos caminhando a sermos, em um futuro não bem definido, uma república verdadeira.

Por enquanto, não somos, e por isso nem pensar em sair da ONU, nem pensar em sair da UNESCO.

Respondendo à pergunta contida no título, parece que o Brasil “seria” uma “Plutocracia Popular Burocrática – PPB” com rituais, nada mais que rituais, republicanos.

Somos uma república PPB.

 

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