O ENSINO MÉDIO – 28/9/16

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O ensino médio, tomando por válido o que entendi da fala do Ministro da Educação quando da apresentação de reforma, permanecerá, no Brasil médio…cre.

Vejamos o que o Ministro disse (ou eu entendi):

a)    O curso terá uma parte inicial comum…

b)   Após esta parte, cada aluno escolherá as matérias que desejará.

c)    “ “ … os estudantes estão no comando” ”.

O tópico a) é correto; o tópico b) é insano e incorreto, e o tópico c) demagogia barata.

Antes de explanar as assertativas, vamos verificar o “status” do ensino médio no Brasil.

Peguem uma folha de papel em branco, traçam um linha vertical no meio, a esquerda escrevam – ENSINO SUPERIOR, a direita ENSINO MÉDIO.

Abaixo de ENSINO SUPERIOR escreva:

  • MEDICINA;
  • QUÍMICA;
  • ELÉTRICA;
  • MECÂNICA;
  • CIVIL;
  • DIREITO;
  • etc…

A seguir escreva também:

  • Médico;
  • Engº Químico;
  • Engº Eletricista;
  • Engº Mecânico;
  • Engº Civil;
  • Advogado;
  • etc…

Agora tente escrever algo similar na coluna ENSINO MÉDIO.  Não vai conseguir.

O que falta é um título, correspondente a Engenheiro, Médico, Advogado, etc. Nos demais países existem, no Brasil não.  Não interessa o que está escrito no Diploma.

Não existe um termo que caracteriza universalmente o ENSINO MÉDIO.

Um filósofo disse que se uma coisa não tem nome, a coisa não existe.

O inverso também é válido, inventa-se o nome e a “coisa” não aparece, como foi no século XIX, o caso do “eter” que deveria preencher todo o cosmo.  “descobriu-se” que não existe.

Para facilitar a compreensão, vamos supor que se escolha o termo PERITO.

Então podemos ter:

  • PERITO QUÍMICO;
  • PERITO MECÂNICO;
  • PERITO ELETRICISTA;
  • PERITO CIVIL;
  • PERITO AGRIMENSOR;
  • PERITO AGRÍCOLA;
  • PERITO AMBIENTAL;
  • PERITO FINANCEIRO;
  • PERITO ADMINISTRADOR;
  • PERITO EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO.

Paro nestes dez primeiros.

Posto isso, analisamos o ponto b) da fala do Ministro.

Assim como entendi, parece que na segunda parte do curso o estudante pode escolher a “matéria que quiser”.

Errado, ele deveria escolher a sequência profissional (o conjunto obrigatório das matérias) e não as “matérias” de per si.

Já que estou aqui ditando regras, continuo apresentando de como seria o curso de 3 ou 4 anos.  Vide quadro.

tabela

Ainda subjacente a fala do Ministro, está a pretensão que o aluno, depois do 1º ano tem condições de escolher a “vocação”.

Ledo engano, o jovem de 15 anos (e até de 25) não tem a mínima ideia do que realmente pode ser a sua “vocação”.

O jovem, quando tinha 5 anos, sabia.

De fato, os meninos queriam ser pilotos de avião ou bombeiros…; as meninas dançarinas de ballet ou manequim.  Esta última é o nível mais baixo da condição humana “ser um cabide ambulante de vaidades”.

No sistema proposto teríamos duas grandes vantagens:

1º    O aluno teve um encontro com a matéria profissionalizante, podendo então escolher com cognição de causa.

2º    Mesmo tendo escolhido uma carreira, terá algum conhecimento das outras “matérias”.

Finalizando, na Alemanha (não esqueçam que é a 2ª economia mundial, se quiser a 3ª…), na Alemanha ia dizendo, na banca examinadora para aprovação do aluno, senta, com poder de veto um representante da indústria envolvida.

O Poder de Veto, elimina os alunos que chegariam a uma medíocre aprovação (somente o papel do diploma) aprovando exclusivamente aqueles que serão de válida ajuda a indústria em questão.

Tenho dito.

 

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