O PARAÍSO PERDIDO – Milton – 19/8/16

o Paraiso Perdido

Não sei porque alguém me atribuiu a posse de obras notáveis na minha biblioteca (nas cinco espalhadas em três continentes).

Não, não tenho nenhuma obra notável mas, para não desapontar o interlocutor, pensei um pouco e citei o mais incomum dos meus livros, o “Paraíso Perdido” do cego Poeta Milton. A Edição é da EDIGRAF de São Paulo, portanto, devem existir centenas de exemplares no Brasil. Em tempo, a tradução é do português Antonio José de Lima Leitão, que ousou tomar algumas liberdades indevidas mas saborosas.

Bem, explicado tudo isso, assumindo as luzes da ribalta, o que poderei dizer desta obra?

Primeiro, sobre a audácia do Poeta.

Confrontamos com Dante Alighieri, com a sua “Comédia” que a posteridade alcunhou de “Divina”; idealizou um Inferno, um Purgatório e um Paraíso, e sobres esses temas deitou-se e deleitou-se.

Teve grande facilidade na composição do Inferno, jogando aí, além das clássicos Caim e Judas, que sem dúvida aí mereciam estar, todos os seus desafetos, pessoais e políticos.

Claro que o podia fazer; não era ele o autor do poema?

Enfim, a sua obra, se bem que “divina” tratava de homens e mulheres anteriores do seu tempo e do seu próprio tempo; tratava de almas pecadoras, de almas dignas da salvação e de almas já nas graças de Deus, enfim, tratava-se de pessoas reais e dos seus feitos e mal feitos e que agiram no mundo em modo não diferentes dos atuais mortais do século XX e XXI. Os pecados identificados e ferreteados no Inferno são os mesmos que nos afligem hoje, mesmo com os nossos tablets, aviões a jato e redes sociais.

Obra esmerada, a do meu patrício Dante, possuo um edição da obra que pesa, acho eu, uns dez quilos…; obra de peso, diria um gaiato.

Serão estes dez quilos os pesos dos pecados ou o livro é grande mesmo?

Independendo do peso da minha edição, a obra, nem precisa dizer, é deslumbrante, imensa, sublime, divina enfim, e tudo o mais que queria acrescentar mas, … mas, trata sempre de criaturas humanas… reais… que existiram e viveram.

Comparamos então esta obra sublime com a do Milton.

O tema, sumamente abstrato para a maioria dos homens, trata, vejam só, da luta de Lúcifer, um dos maiores anjos da corte divina, contra Deus.

A abstração, vai até a altura dos céus cantados.

O primeiro canto, dos doze, ilustra a caída das dezenas de milhões de anjos rebeldes nas profundezas do inferno, recém criado para o escopo.

É Lúcifer, ainda prostrado depois a estrondosa queda, que apostrofa os seus seguidores:

Despertai, levantais vos, companheiros…
ou ficai para sempre aqui submersos?”

Nas suas elucubrações Lúcifer, agora Satanás, trata Deus como tirano…

O tirano por fim de nós aprendeu
que vencer só por força um inimigo
é somente vencê-lo por metade

Um outro anjo caído, bucólico, lamenta-se…

Descansemos ali, se ali descanso
pode encontrar-se algum

Por fim (na realidade é no começo) contrariando o bom senso de um querubim ai prostrado junto a Lúcifer que discordando das incitações do mesmo que queria, de imediato que, todos se unissem ali e agora a ele para lutar contra Deus; o coitado do querubim argumenta: “como nós podemos vencer agora, aqui jogados, se não o conseguimos vencer quando tínhamos glória e poder?

O arquiinimigo prontamente o atalha
Degenerado Querubim…

e aí apresenta a política que pretende implantar contra Deus, política essa da qual somos vítimas, até nós do século XXI e… sem dúvida do século XXXI e assim em diante, pela eternidade.

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