O VALOR DO VOTO EM BRANCO – 4/7/17

o Valor do Voto em Branco

Como quase todo mundo sabe, o colégio eleitoral é formado pelos votos válidos excluindo-se portanto os nulos e os brancos.

Quanto aos nulos, nada a dizer, por erro ou por gozação inútil muitos votos são corretamente anulados.

A justiça eleitoral, melhor o sistema eleitoral, considera nulos também os votos em branco.

O nosso sistema eleitoral é assim como assim também devem ser os sistemas de muitíssimos outros países.

Sendo que eu, o Zé Ninguém não vive nesses “outros países”, mas no nosso país continental (A Europa inteira cabe no Brasil e ainda sobra espaço), me interessa e me preocupa principalmente com o que aqui acontece ou não acontece.

Não acontece, justamente, uma análise pelos nossos pais da pátria, do valor do voto em branco.

O que significa o voto em branco?

Significa que o eleitor que vota em branco considera, os milhares de candidatos, TODOS INDIGNOS DO SEU VOTO.

Portanto, o VOTO EM BRANCO deve ser considerado como uma manifestação contundente de repúdio a todos os candidatos que aí estão.

O Zé Ninguém não é fautor do voto em branco. A recomendação do Zé Ninguém é que, na pior das hipóteses, com um rol de candidatos ruins, deve-se votar no menos ruim.

Sim é pouco… mas o que pode-se fazer, se o conjunto dos candidatos é ruim?

Vota-se no menos ruim.

Porém, milhões de eleitores não pensam assim, alguns anulam de alguma forma o voto (péssima escolha) outros votam em branco (escolha racional).

A mensagem é clara, para quem vota em branco, todos os candidatos são indignos falsos, interesseiros, ignorantes, crápulas, filhos daqui… dacolá, etc, etc.

Claro está, que não todos merecem o total dos epítetos e é por isso que o Zé Ninguém sugere, entre tantos, escolher o menos pior, mesmo que esta tarefa seja muito difícil.

Enfim, o Zé Ninguém, contrariando os pais da pátria, os constituintes da Carta Magna de 88, que jogaram na vala comum os votos em branco, como voto nulo, afirma e proclama que o VOTO EM BRANCO É VOTO VÁLIDO.

Validíssimo.

Vale porque afirma veementemente que a totalidade dos candidatos são… e lá vai a lista dos epítetos já apresentados.

Bem, dirá o leitor atônito, admitindo que o voto em branco, seja voto válido, como o inserir no contexto da representação política nacional?

Fácil, dirá o Zé Ninguém, com um sorriso maroto, veja como pode-se utilizar, em pro do País.

Admitamos, por facilitar a compreensão que o colégio eleitoral deveria eleger 500 deputados.

O cálculo atual, faz com que, descontado os votos nulos e os votos em branco, os votos “válidos” restantes elegeriam os 500 deputados, ignorando olimpicamente os votos em branco.

O que sugere o Zé Ninguém? Eis a pergunta de um leitor perplexo, mas esperançoso: o que o Zé propõe?

Bem, voltamos ao cálculo, o colégio eleitoral é formado por todos os votos válidos, indicando o candidato e também os votos em branco, que repudia a todos.

O colégio eleitoral, portanto, elege tantos deputados quantos são os que forma indicados e, para os votos em branco, não se elege candidato algum.

… mas como?

Calma, leitor estarrecido, se todos votassem nos candidatos teríamos 500 deputados eleitos, mas só 20% do votos forem em branco, teríamos 20% das cadeiras não preenchidas???

A Câmara pode funcionar normalmente com 500 ou 400 deputados… não faz nenhuma diferença???

Somente que 100 cadeiras ficarão vazias na Câmara.

É???

Bem, aqui vai o ritual que o Zé Ninguém recomenda, mesmo sabendo que ninguém vai gostar.

As 100 cadeiras vazias seriam as do corredor central cobertas por um véu preto a recordar aos 400 deputados eleitos que muitos eleitores não confiem neles.

Mais rituais.

Na abertura de cada sessão, todos os dias, por 4 anos, o Presidente da Câmara abrirá os trabalhos com esta fórmula:

“Está aberta a seção, lembrando aos senhores deputados que 19.470.327 eleitores não confiam na classe política”.

Fim.

Só isso diria o leitor desiludido da proposta do Zé.

Claro que o “só isso” tem numerosas implicações.

A primeira é que cada deputado quererá, na próxima eleição, abocanhar uma porção dos 19.470.327 eleitores que votaram em branco… É um mar de gente, e para conquistá-lo tentará fazer do bom e do melhor.

A segunda é que se na eleição seguinte o percentual de eleitores que votaram em branco baixar, quer dizer que a confiança na classe política está aumentando.

Se, ao contrário, a quantidade de voto em branco aumentar, quer dizer que a confiança na classe política diminui.

… e, então o que fazer, dirá o leitor aterrorizado, o que fazer???

Bem, o Zé Ninguém desiste, não saberia mais o que excogitar, se a pressão moral não tem efeito, e a vontade dos deputados em amealhar mais votos, nada mais restará fazer.

Pena.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *