ONU – 1 – 27/11/17

Onu 1

Prometi que falaria da ONU, apesar da vontade imensa de “falar mal” da UNESCO. Falemos então da ONU.

O ponto de vista do Zé Ninguém é de que os inconvenientes (leia-se centenas de milhares de mortes, etc), no Oriente próximo, têm como origem as ações e as inações da ONU.

Iniciemos com a primeira inação, a da origem do caos: passado, presente e futuro.

A ONU definiu, e o brasileiro Osvaldo Aranha participou disso, que uma parte do território do protetorado britânico, chamado de Palestina, passaria a ser o território do “Estado de Israel”.

Os sobreviventes dos campos de extermínio nazista e inúmeros judeus de outras terras, tinham pressa em dispor de um Estado, no qual, pela primeira vez desde o êxodo, não seriam maltratados e explorados pelos governantes locais.

Ocorreu, porém, que os britânicos só queriam sair às pressas, e a ONU não tinha intensão ou meios para pôr em prática a resolução que criaria o novo Estado.

Portanto, inicia-se, o crime. Os palestinos (árabes), que moravam nessas terras há milhares de anos, não queriam sair e contrastavam com os judeus, que queriam entrar, em força da resolução da ONU.

Daí iniciaram-se os tiros. Tiros implicam em mortes, e mortes em ambos os lados criam a espiral da violência que, após 70 anos ainda perdura.

Este foi o início da tragédia.

… mas a ONU fez muito mais do que promover a violência na ex-Palestina… tornou esse episódio do nascimento do novo Estado, que é quase sempre traumático, mas localizado pontualmente no tempo e de relativo fácil esquecimento, em “crise permanente”.

Brava ONU.

O que fez a ONU? Criou imensos campos de acolhimento dos palestinos “exodados” à força. 

Nestes campos, por anos e décadas se criaram homens e mulheres ressentidos, que criaram filhos ressentidos e netos mais ressentidos ainda. É neste caldo de cultura que se forjaram todas as engrenagens da violência que se alastraram pela região.

O que teria feito o Zé Ninguém, se fosse Secretário Geral da ONU? Teria imitado o Secretário Dag Hammarskjöld que, pessoalmente e no local, impunha as resoluções da ONU (e por isso morreu).

No caso específico o Secretário Geral da ONU, Sr. Zé Ninguém, teria:

  • negociado com todos os países árabes o acolhimento dos palestinos, dando um subsídio a esses países, em US$, no valor da época entre 10 e 20 mil, para cada família assentada no próprio território;
  • tratado com as lideranças palestinas, informando as condições da transferência e que os palestinos sempre estariam sob a proteção da ONU (A ONU do Zé, não a ONU de sempre);
  • garantido às famílias palestinas, moradia, trabalho e segurança (negociadas antes com os governos dos países árabes aquiescentes).

Resolveria?

Acho que pelo menos 90% das famílias aceitariam.

E os 10% restantes? Pode deixar, o Secretário Geral da ONU Sr. Zé Ninguém, saberá achar uma solução.

O que me irrita profundamente na inação da ONU, é a falta total de compreensão dos problemas e como consequência, a inadequação das soluções.

Apresento dois fatos exemplares, dos quais, que eu saiba, a ONU não participou:

Ao fim da 2ª Guerra Mundial, os vencedores resolveram que:

a) a Polônia perderia um terço do seu território que passaria para a URSS;

b) a Polônia ganharia um quinto do seu território retirado da Alemanha (1);

c) a nova fronteira Oder-Neisse, que envolveu a mudança de milhões de pessoas, fosse denominada a “fronteira da paz”. Como de fato se comprovou: as nações se adaptaram, sem dúvida, a contragosto, mas se adaptaram à situação e a paz reinou nessa região por gerações.

O segundo fato a considerar se refere a todo e qualquer emigrante do passado. Por razões diversas, milhões de pessoas emigraram (inclusive o Zé Ninguém…) e foram para outras terras, quase sempre bem recebidas e apesar da língua diferente, às vezes religião, culinária, hábitos e culturas diferentes, respeitaram leis e costumes do país acolhedor, ali se instalaram e, biblicamente, proliferaram e progrediram.

Vejamos os palestinos.

Antes de tudo, eles têm direito a não gostar e a protestar. Na troca de lugar, a ONU poderia e deveria melhorar as condições de estadia e garantir a permanência da herança cultural desse povo.

Feito isso, que diabo estavam querendo, quando comparados com os milhões de europeus deslocados, sem nada em troca?

Eles vão “mudar” para um país, árabe, com a mesma língua, a mesma religião, o mesmo clima, a mesma cultura e basicamente o mesmo cardápio. Comparem isso com os imigrantes posteriores à 2ª Guerra Mundial.

Ficou clara a incompetência criminal da ONU? Espero que sim, são os votos do vosso amigo Zé Ninguém.

 

Nota:   (1)      Também um pedaço da Alemanha passou para a URSS. Trata-se de Königsberg, cidade alemã, onde  nasceu e viveu (nunca saiu de lá)

e morreu Immanuel Kant. Agora é um enclave da Rússia, com o nome de Kaliningrado.

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