ONU – 2 – 12/12/17

Onu 2

Já falei (mal) da ONU… mas, vejam, se alguém quiser escrever sobre todos os malefícios provenientes das ações da ONU e mais, pela sua inação, deveria passar metade da sua vida nessa tarefa.

Está claro, que a ONU tem alguns méritos, não são muitos, mas tem.

O principal é que os “panos sujos”, de qualquer situação, são expostos à vista da humanidade inteira.

Os panos sujos sim, os panos sujíssimos não.

Muitos países guardam, escondidinho, as informações sobre os panos sujíssimos dos outros para não terem revelados os seus próprios.

Assim, a vantagem da ONU, no aspecto da transparência foi para o beleléu.

Vigora então uma tácita confraria de inequidades.

Vou contar uma historieta para que “sintam” a potência da ONU.

Cerca de duas décadas atrás, no rastro da dissolução da Iugoslávia, a Sérvia, não sei porquê, invadiu a Bósnia, ou, se quiser, a minoria sérvia da Nova República da Bósnia é que iniciou a guerra civil dentro dela.

Enfim, os sérvios pegaram armas, contra, vejam só, 45% da população muçulmana da Bósnia e, contra todas as demais etnias que não fossem sérvios.

Então eles começaram a matar os bosníacos no atacado e no varejo. Foram feitos muitos filmes sobre esta tragédia, não conto novidade alguma.

A ONU, então, interveio.

Enviou os seus observadores que, depois de terem constatado que as chacinas eram reais, informaram a Secretaria Geral (da ONU) que, horrorizada, tomou os seguintes procedimentos:

  1. Apresentação do ocorrido na Assembleia Geral da ONU;
  2. Carta, enviada ao Governo da Sérvia, intimando-o a não apoiar a minoria sérvia na Bósnia acusada de perpetuar atrocidades.

Apesar da advertência da ONU, as atrocidades continuaram.

Constatando, após um mês ou dois da sua advertência, que as chacinas continuavam, a ONU, irritada, enviou uma solene advertência, na qual dizia, entre outras coisas que, se continuasse o massacre, promoveria isto e aquilo contra a Sérvia.

A ONU não aplicou isto e aquilo como tinha ameaçado. Talvez os “istos e aquilos” foram tão insignificantes que não resultaram em nada e os assassinatos continuaram.

E é a este ponto, cerca de dois meses depois da “solene”, que a ONU se irritou realmente.

Como o Governo Sérvio não se dignou sequer a responder as advertências da ONU, enviou uma nova e enérgica advertência, mas desta vez, uma carta com nota de recebimento anexo.

A nota de recebimento veio, 15 dias depois, com uma simples assinatura em cirílico ilegível.

Os massacres, no atacado e varejo, continuaram.

A ONU, perplexa, não sabia mais o que fazer e depois de algumas semanas mergulhada nessa perplexidade fez o que sabia fazer de melhor: declarações. Enviou uma soleníssima declaração (soleníssima porque a solene não surtiu efeito) ao Governo Sérvio, aguardando ansiosamente algum resultado.

O resultado veio, mas não dos sérvios, veio da Europa, da parcela europeia da OTAN.

Após mais de cem mil mortes de bósnios e vista a inoperância da ONU, a OTAN interveio e, em 15 dias, inclusive bombardeando Belgrado e a embaixada da China a tragédia teve fim.

Interessante é que em certas publicações se lê: “A guerra civil na ex-Iugoslávia terminou com a intervenção da ONU e da OTAN.

E é assim que se deturpa a história.

Felizmente, neste específico caso, o Zé Ninguém estava atento, acompanhou todo o desenrolar da tragédia e deu, como agora está dando, o seu testemunho duas décadas depois.

Vale a pena lembrar que alguns órgãos da imprensa brasileira, acompanharam razoavelmente bem os acontecimentos. Curiosamente interpelaram um capitão das “forças” da ONU, por acaso brasileiro, e fizeram perguntas e mais perguntas das tantas que Zé Ninguém e milhões de brasileiros fariam: Por quê? Quem fez o quê? Quem foi o responsável? Por que não se interviu logo no começo das ações criminosas?

O bom capitão brasileiro, conseguiu imperturbavelmente esquivar-se das respostas, bravamente diria eu.

Não entendi a postura deste capitão das forças da ONU, ninguém entendeu.

Agora, décadas depois, apresento uma hipótese. Ele não queria perder a rica aposentadoria da ONU com declarações embaraçosas.

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