OS BLA BLA SOBRE MARIANA E BRUMADINHO – 20/2/19

osblablasobre

Li muitos artigos sobre as tragédias de Mariana e Brumadinho, ouvi muitos comentários nas TVs, portanto, li e ouvi muita coisa, claro que não tudo o que foi escrito e dito sobre os dois desastres, mas acho que o que chegou ao meu conhecimento foi uma boa amostrado do que circulou na mídia.

O que nunca ouvi ou li, foi sobre as causas, múltiplas e profundas do ocorrido, para evitar que isso se repita.

Acho que vai repetir-se!

Pelos blas blas inconcludentes (não é o só o Zé Ninguém que bla bla teia) reparei que os “formadores de opinião” os articulistas e comentaristas, nada sabem sobre as causas do ocorrido e não procuraram entender. A assertiva não é uma crítica a essas personagens, é somente o enunciado de um fato.

Essa questão deveria ser tratada por especialistas, calejados na matéria.

Mas quais especialistas, pergunta-me um atônito leitor, … quais?

Vamos as tradicionais explanações do Zé Ninguém, nas quais, tradicionalmente e talvez, corretamente, ninguém acredita.

Bem, vamos lá, leitor descrente.

Todo tipo de barramento no Brasil depende de uma entidade estatal que “controla” a sua implantação e operação. Esta seriam:

  • a ANEEL quando trata-se de barramentos que exploram a potência hídrica (água) como geradora de energia;
  • a ANA relativa a barramentos para uso da água: de uso geral e para irrigação;
  • o Departamento Nacional de Mineração (agora meio confuso porque em fase de reestruturação pelo atual governo) para os barramentos para armazenamento de resíduos da mineração de minerais.

A ANEEL tem bem definido critérios e condições para a implantação destas barragens que fazem parte de complexas usinas de geração hidrelétrica. Dispõe de praxi consolidada de quase um século, e conta com quadro técnico capacitado.

A ANA não tem nada parecido como a ANEEL, apesar de ter bem definidos conceitos válidos para as outorgas do uso da água. É mais cartorial que agente do estado vigilante, que atua sim, sobre o uso da água, mas não sobre a segurança das instalações.

O DNM (o quem por ele) que se saiba, e sabe-se muito pouco, não tem, ou tem muito reduzidas, competências similares a da ANEEL.

Vamos em frente, existe um cartório grande e furioso (para quem não paga as taxas devidas) o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – os CREAS estaduais que, corretamente registram estudos e contratos de engenharia. Pelo CREA, você encontrará sempre os responsáveis da construção das diversas e inúmeras infraestruturas do país, e em muito menor grau, os responsáveis das operações.

Os desastres recentemente ocorridos, pouco tem a ver, a princípio, com os órgãos ambientais, estes, por definição, zelam para a proteção do ambiente, não pela segurança das barragens.

E quem zela pela segurança?

Ninguém.

Como ninguém! Grita um exaltado leitor.

Explico, cerca de vinte anos atrás, abnegados engenheiros se esforçam para colocar em evidência a segurança de barragens. Na verdade algo foi feito, mas muito aquém das necessidades como as muitas barragens que colapsaram no Brasil e, ultimamente Mariana e Brumadinho de forma trágica, evidenciaram.

Mas tem mais, muito mais, de quanto sucintamente apresentado isso é somente a ponta do iceberg. Vamos ver o que tem abaixo da linha d’água.

Por agora apresenta-se somente dois aspectos, ambos graves, e ambos ignorados pela mídia.

Primeiro – o empresariado brasileiro, principalmente os que entraram no setor elétrico, se arvoraram em construir empreendimentos hidrelétricos mais barato dos construídos pelo poder público. No Brasil o poder público praticamente começou com o governador do estado de São Paulo, Carvalho Pinto, ilustre desconhecido pelos informatizados das gerações atuais (Ilha Solteira, Jupiá, etc).

De fato, os empresários conseguiram economias na implantação das novas hidrelétricas.

Erraram porém, quase todos, na aplicação da redução de custo via licitação informal mais acirradas sobre os preços de aquisição de bens e serviços.

Colocaram projetos em insana concorrência pelo preço e não pela qualidade.  Incluíram nessa lista pelo menor preço, também a engenharia de projeto. Erraram feio. O que deviam fazer e não fizeram, era utilizar a engenharia para, mantendo a segurança, conseguir a maior economia possível, através da boa engenharia.

Por “sorte” muitas barragens já caíram e outras cairão.

Segundo – a existência de nichos de mercados, praticamente cativos. Você, leitor correto, se empresário de empresas de projeto, acha possível ser contratado por uma FURNAS, uma PETROBRAS, uma SABESP e por aí vai? Isso é praticamente impossível, principalmente no setor de mineração.

Mas… mas… balbucia um estarrecido leitor, … mas as licitações?

Parafraseando Getúlio Vargas.

“Ora… as licitações”.

Tem mais muito mais; mas agora, de onde podem vir os remédios?

Somente do Congresso, com legislação adequada.

É bom, porém, esperar sentado.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *