PARADISO … 2 – 18/4/17

Paradiso 2

“Zé Ninguém está em HOLLYWOOD”

 

Todos os que tem fé, independentemente da religião, querem ir para o paradiso, isto é, no lugar felicíssimo onde os bem aventurados, deixado o corpo terreno, irão.

Em geral, penso eu, irão no paradiso, as pessoas que não fizeram mal ao próximo, nem com atos nem com palavras. Irão ao paradiso as pessoas que souberam suportar dissabores e, principalmente as que perdoam e as que amam o próximo como si mesmo.

Estes conceitos não devem ser muito diferentes de uma religião a outra.

No islamismo, tão na evidência atualmente, parece que Hallah é canonizado também como “o compassivo”, o que indica que está dentro dos paradigmas citados inicialmente.

Antes de continuar a falar, um parêntesis, admitindo:

a)      Que existe o paradiso cristão (ver Dante Alighieri na Divina Comédia como referência não eclesiástica).

b)      Que eu irei para este paradiso (a dizer a verdade os meus atributos para tal destino, não são tão abundantes para me deixar tranquilo).

Sei porém, com razoável certeza, caso for encaminhado ao paradiso, como serão os primeiros 55 segundos de viagem para lá, alguns dizem 63 segundos, coincidentemente o mesmo tempo necessário e suficiente para fazer um bom chá… Ouvireis os primeiros acordos da nona sinfonia de Schubert… os primeiros 55 segundos…; daí para diante a música deve ser melhor, sempre melhor, será celestial, … evidentemente se for encaminhado ao paradiso.

Sim sei, o paradiso é a contemplação de Deus, e a comunhão com Deus… mas terá uma transição… uma viagem… e os primeiros 55 segundos, como adeus a vida terrena, e início da vida celestial serão acordos mortais sim, mas já preanunciando as delícias a vir.

Bem, posto isso, voltamos ao Islã e a seu paradiso…, que decepção, não chega a ser mais que um harém personalizado e perene…

Depois de tornar-me, quem sabe, muçulmano sugerirei ao iman de turno, dar uma melhorada a esse paradiso tão banal, uma sublimação, talvez.

É uma pena…. porque um Deus compassivo tem um atributo muito superior a um Deus onipotente  (que é, aliás, uma das prerrogativas essenciais de Deus).

O histórico da expansão islâmica faz jus ao termo “compassivo”, que implica na tolerância com outros povos com outras crenças.

O símbolo disso, entre mil, é o do Saladino, no tempo das Cruzadas, que derrotando os exércitos cristãos, que semearam a terra santa de ecídios e nefandezas, perdoou e libertou todos os soldados cristãos, limitando-se a executar (bem feito…) somente e unicamente o chefe dos exércitos adversários.

Deve ter tido uma grande força de espírito para contrastar os que, penso, eram a favor de vinganças, do olho por olho…

Deus, e os seus fiéis, são compassivos…

Voltando a situação do Islã atual, encontramos fiéis compassivos, e outros nem tantos, cortar gargantas, explodir bombas, não é, certamente ser compassivo.

Deve, o ocidente, saber distinguir entre os muçulmanos compassivos dos que não o são.

É essencial esta diferenciação.

Não somente por sermos (será?) pessoas civilizadas, mas porque é uma lógica elementar, aliar-se aos bons para conter os maus.

Ridículo, portanto, o posicionamento do D. Trump de impedir a entrada de muçulmanos, de forma indiscriminada.

Por sorte, as instituições republicanas dos EUA, estão contendo eficazmente esta postura indigna, que deve deixar o Saladino triste na sua tumba…, “nem os bons exemplos frutificam neste mundo insano”.

Citei o paradiso cantado em milhares de versículos, de 13 sílabas, por Dante Alighieri.

O “inferno” é mais bem conhecido, com penas infligidas a conhecidos pecadores, tais como Caim e Judas…, mas, no inferno, Dante colocou, também com razão ou não, os seus desafetos políticos (fez bem, eu teria feito o mesmo).

No paradiso, eliminados previamente os desafetos, somente entram pessoas que aí mereciam estar. Porém, parafraseando um pouco quanto fez no “inferno”, colocou, como guia daquele enorme complexo paradisíaco (diria-se hoje) uma sua antiga paixão juvenil, Beatriz. Bem, pelo esforço de escrever 100 cantos em impecáveis versos, merece poder colocar a tal de Beatriz onde bem entender.

Não recomendo a leitura da “Divina Comédia”.

É muita matéria a digerir, vai se gastar, para apreciá-la satisfatoriamente, metade da vida de um homem. Melhor ler alguns livros sobre Dante e sua obra, e isso já seria suficiente para ficar estarrecido pela profundeza e acuidade das diversas análises que ele faz do gênero humano.

Ao contrário, recomendo a leitura do “Paradiso Perdido” de Milton, menos conhecido e erradamente considerado de difícil leitura.

Não é.

Espantosa é a capacidade inventiva de Milton, no meu entender bem superior a de Dante. Este criou um mundo ultraterreno – Inferno, Purgatório e Paradiso, no qual o mundo real estava aí contido. Milton, ao contrário, fazendo jus ao título, conta e relata o universo de Deus e dos seus Anjos, antes, até, da criação do nosso mundo terreno.

Que ousadia, que criatividade, descrever a luta dos anjos rebeldes contra Deus e os anjos a Ele fiéis.

Que capacidade dramática, iniciar o poema, a partir da cósmica caída estrondosa de todos os anjos rebeldes, agora demônios, na profundeza do inferno justamente criado para recebê-los.

A personalidade do Satanás é memorável, serve, talvez, a justificar que tinha grandeza quase tanto quanto Deus. Um adversário a altura que, penso eu, nestes últimos tempos está ganhando espaço neste nosso mundo egoísta, vaidoso, superficial e cruel em que vivemos.

A descrição do paradiso terrestre perdido é fascinante… todos aqueles que ultrapassaram a metade da duração da vida, ficam impressionados e desejosos de aí ir e ficar…

Bem chega de paradisos, porém, quero fechar com uns versos de Milton, ele se referia a um posicionamento de Deus em relação aos homens inicialmente criados, mas que porém pode e deve ser assimilados profundamente por todos nós, os homens atuais.

 

““ Homens e anjos formei de todo livre

É livres serão sempre, indo que insanos

……….

Dentro da alma hei de por lhes a consciência 

Guia infalível, árbitro divino

Se puro lhe seguirem os ditames””

 

 

Canto III do

O PARAÍSO PERDIDO – Milton – Editora Edigraf – São Paulo

 

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