SOBREVIVENTES – 22/10/18

Sobreviventes

Mesmo o leitor mais desatento, terá percebido que os discursos do Zé Ninguém (ZN) são basicamente superficiais, se bem que, às vezes, apresenta aspectos não percebidos pela maioria dos seres humanos.

Esta superficialidade, na realidade esconde ou revela uma certa pusilanimidade do próprio Zé Ninguém, que pode chegar até a covardia.

Devem ter reparado, os leitores mais atentos, que questões fundamentais nunca foram apresentadas e muito menos tomadas posições sobre essas. Justamente por ser pusilânime…

Hoje, porém, é um dia especial e depois de um demorado exame de consciência, o Zé chegou a conclusão que é preciso se posicionar sobre os temas, digamos, escabrosos. E sua posição  pode restringir o número de leitores… o que o preocupa… e muito.

O Zé Ninguém anseia pelo apoio tácito dos seus leitores. Por quê? Bem, isso será o tema de um ulterior exame de consciência.

Vamos aos argumentos escabrosos.

Ei-los:

  • Pode-se aplicar a pena de morte a criminosos assassinos?
  • Pode-se considerar o aborto como assassinato?

É difícil responder, é tormentoso, é doloroso tomar posição.

Vamos primeiro tentar responder a segunda questão, deixando a primeira para outra ocasião.

Vamos pelas bordas.

Uma conhecida apresentadora de um canal de televisão, falando de um sujeito antiabortista, com toda a calma e tranquilidade do mundo, o denigriu, dizendo que, o tal sujeito “não era progressista”.

Parece que em lugar de restringir ou concluir a questão, o ZN a está ampliando.

Ampliando-a? – responde o próprio Zé…

– “Não, estou tentando clarear!”

No que clareia o Zé Ninguém? Clareia o fato que na mídia, dá-se por resolvida a questão do aborto, se é contra, “não é progressista”.

Depois disso o ZN se sente inseguro sobre o destino do planeta.

Vejamos: os abortistas, ou qualquer grupo de opinião, incluindo os antibortistas, conseguiram apropriar-se (indevidamente) de um termo (supostamente) positivo. Daí a tranquilidade da apresentadora da TV.

Estamos longe da tranquilidade.

Vamos ao núcleo, ou quase.

A postura das mulheres abortistas se fixa na frase: “Temos direito ao nosso corpo”. Concordo plenamente (ou quase). O ato de suicídio por exemplo, não é um direito, é uma possibilidade. É uma infeliz realidade de pessoas que chegaram ao limite da resistência perante os infortúnios da vida.

Porém, não é suicídio o que as mulheres entendem com essa frase de bandeira.

Entendem, todas elas, que podem “eliminar” um ser em gestação do seu corpo.

Primeira questão a ser resolvida: o ser em gestação faz parte do corpo dela ou é já um ser distinto? Segunda questão, o ser em gestação pode ser considerado um ser vivo?

A essas melindrosas questões, o Zé Ninguém não tem condição de responder nem de sussurrar palpites.

Responde por ele, o Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos. Esse “Supremo” ao contrário do nosso, não tem a 2ª turma, a que solta, não tem milhares de questiúnculas e filigranas a discutir.

Só se pronuncia, e geralmente bem, sobre questões de interesse real e concreto para o bem da Nação e de acordo com o espírito da Constituição.

Sobre a questão em pauta decidiu:

1 – Até x semanas (parece que 12 ou 14) é lícito a… (sei lá o que… digamos a “interrupção da gestação), depois deste período a interrupção se classifica como “aborto”, etc, etc.

2 – A Igreja Católica Apostólica Romana se opõe firmemente ao “aborto” mesmo sob qualquer outro nome que o Supremo dos EUA o queira denominar.

3 – A Igreja Católica é contra a pena de morte, seja esta aplicada à criminosa ou à inocente.

Pausa.

Numa revista americana, cerca de 30 anos atrás, apareceu uma charge. O desenho mostrava o interior de uma catedral com um frade conversando com uma jovem em evidente estado de gravidez. A didascália dizia:

– Experimentou a dizer não?

Para quem pensou que a revista era do Vaticano ou coisa similar, gosto, gosto muito, em dizer que era a Playboy.

Fim da pausa.

Paremos um pouco de falar do último ato, o aborto, retornemos ao primeiro ato, a concepção.

Por que se chegou a eventualidade do aborto?

São inúmeros os motivos. Cada qual pode listar uma dúzia ou mais. Vai desde uma “desatenção” até o estupro. A Igreja Católica, repito, é contra a pena de morte de criminosos e inocentes.

O Zé Ninguém tem as suas dúvidas, mas acata obedientemente a posição da Igreja Católica sobre os criminosos.

Não tem, porém, dúvida nenhuma, sobre a pena de morte aplicada a inocentes.

O Zé Ninguém considera que a gestação trata de um ser, separado da mãe, e portanto, com sagrado direito à vida.

Amado leitor, você discorda disso?

Se discorda, me diga: o que acontece se não houver o “aborto” de uma gestação?

Responde, o sempre prestimoso Zé Ninguém.

Ter-se-á uma nova vida, separada da mãe, e que, anos depois, pode até brigar com ela; esta nova vida não é uma parte do corpo da mulher, é um outro corpo que se abriga, maternalmente, no corpo dela.

Posto isso, duas considerações finais.

Primeira, de leve: e o “pai”, cadê?

Qual é a posição do pai? Geralmente não se pronuncia, fugiu, omitiu-se, acovardou-se ou tudo isso junto. Pai?… foi somente um mero copulador.

A segunda, pesada.

Nós, todos nós que vivemos neste mundo, homens e mulheres, abortistas e antiabortistas, todos nós, brancos e negros, ricos e pobres, felizes e infelizes, todos nós, todos mesmos, somos

SOBREVIVENTES

escapamos, por um triz, do aborto.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *