VAGANDO E DEVAGANDO AO REDOR DO SUPREMO – 30/6/17

Vagando e Devagando

A discussão sobre natureza e alcance da “delação premiada” dos irmãos Batista no STF terminou.

Estabeleceram, os doutos comidicos, que:

  • o Juiz Fachin é o relator;
  • o relator homologa monocraticamente a delação acordada entre o Ministério Público e o insigne delator;
  • a delação é garantida pelo Estado porque o Estado não pode tornar-se leviano, se a posteriori outro órgão do Estado quiser revisar os acordos;
  • o Supremo pode intervir somente se o delator não cumprir o acordo ou se evidenciar ilegalidades.

Dessa forma, o instituto da delação premiada permanece, como permanece, a princípio que pode-se ludibriar o povo brasileiro.

O pobre Zé Ninguém, nem douto nem eminente, como a maioria do povo brasileiro, gostaria de saber se é possível ter-se, na íntegra, a delação premiada; este seria o primeiro de três pedidos.

O pedido é justificado por dois fatos distintos:

  • o fato passado, que dinheiro público foi desviado fraudulentamente.
  • o fato futuro, que os prêmios, consistem, entre outros, na não devolução total do dinheiro extorquido com o beneplácito, a dizer pouco, de altas, altíssimas, super altas autoridades governamentais dos últimos 13 anos.

Posto isso e no aguardo da publicação na íntegra do acordo entre PGR e os delatores coloco algumas questões:

Eu ouvi, eu vi, como milhões de brasileiros, na TV as declarações do delator, entre as tantas, estarrecedores de per si e estarrecedor também com o tom de “non calance”, isto é, em não dar importância aos mais incríveis crimes. Vai de per si, que o tom de não importância, do delator provinha do fato que ele estava já, e pela eternidade perdoada de todas e qualquer culpa; mas ia dizendo que eu, e todos os brasileiros que viram na TV, as declarações do ainda indigitado delator, ouviram que ele deu 150.000.000 de US$ para a ex Presidente Dilma e outros tantos 150.000.000 de US$ (o seriam somente reais?) ao também ex presidente Lula da Silva.

Vem logo a mente do pobre Zé Ninguém ingênuo a não poder mais, será que a Procuradoria Geral da República tem ou terá iniciado investigações a respeito disso?

Ou será que, terminado a perícia na gravação utilizará logo que disponível o mesmo gravador para, em acordo com a Polícia Federal, enviar o outro irmão (até agora silente) no escritório ou moradia do ex Presidente Lula, e conversando tipo:

“Então compadre, já gastaram tudo ou sobrou alguma coisa”?

O Lula diria: “… provavelmente…”

O 2º irmão insiste: “me disseram que Fulano e Sicrano não receberam o devido”.

E Lula diria “… pois é…”.

E continuariam neste diapasão por mais meia hora, a capacidade do gravador vagabundo.

A mesma coisa faria-se com a ex presidente Dilma, no caso seria melhor enviar a esposa de um dos irmãos (ela também é beneficiária do dinheiro público desviado) repetindo-se a façanha, sempre com o velho gravador.

Se não dá para entender muito do que dizem tanto faz, como tanto fez. Se valeu para o Presidente Temer, deve valer para todos os demais.

Resolvido esta questão, que seria o 2º pedido. Fica um terceiro.

Lembro-me, como se fosse hoje, de ter lido uma declaração do ex presidente Lula, afirmando que se sentia orgulhoso pela capacidade demonstrada pelo filho como empresário.

Fiquei sabendo, a seguir, que trabalhava na Friboi (ou JBS, ou J&F) enfim com os irmãos Batista (que eu e o Brasil desconhecíamos na época); sei que a partir daquele momento deixei de comprar carne da Friboi, é mania inócua minha.

Pasmem, fiquem sabendo que, após o abalroamento e afundamento do navio italiano “Andrea Doria”, pelo navio sueco “Stockholm” fiquei por 50 anos, sim meio século, sem comprar produtos suecos; a pobre ELECTROLUX pagou o pato.

Similarmente, a partir da aquisição da NESTLÉ da fábrica de chocolate Garoto, evitei e ainda vou evitar até totalizar 50 anos, comprar qualquer produto Nestlé.

Ora pois…! diria um leitor surpreso. Bem, respondo foi pela séria de mentiras deslavadas que proferiram, durante o processo na CADE, para convencer a mesma a aceitar a aquisição.

Querem uma? Disseram, “a nós não interessa o mercado brasileiro…” e desembolsaram um bilhão de dólares pela aquisição. Assim, noticiaram os jornais da época.

Como sempre divaguei, voltamos as questões.

Como mero pagador de impostos, peço então:

  1. A publicação na íntegra do acordo de delação premiada, não aceito desculpas tipo “segredo de ofício” ou “segurança para as investigações”. O dinheiro em jogo é o meu tenho direito a saber como foi o e como será dilapidado.
  2. Do pouco que se viu na TV sobre o teor das declarações, queria saber se o PGR fez ou vai iniciar investigações na ordem de relevância dos personagens e volume de dinheiro envolvido. Se bem me lembro, ele disse que deu 150 milhões, de algumas moedas, aos dois ex presidentes do PT, mas pode incluir outros personagens, se o próprio PGR quiser.
  3. Investigue, se o PGR tiver tempo, em desvendar qual o papel na JBS do filho empresário do ex presidente.

Imagino que nos rastros dessa investigação, se sempre o PGR quiser, encontrará diversos Ministros da Fazenda e vários Presidentes e Diretores do BNDES.

Por fim, uma frase de um Juiz da Corte Suprema.

“A Corte Suprema decide, mas a Nação observa a Corte Suprema”.

 

 

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